Na contramão
Parada, nostálgica, numa angústia lancinante. Assim ela se encontra. Refletindo sobre tudo o que perdeu (ou seria o que nunca teve?), ouvindo músicas que não ajudam, num anseio permanente de correr para longe dali. Entretanto,em seu íntimo, ela sabe que não há lugar onde ele não esteja. Em suas recordações remotas, nos lugares que frequentaram, ou até mesmo naqueles pelos quais só passaram, ele está. Em pé, acenando com aquele sorriso sempre vitorioso, implacável, inatingível. Como se quisesse dizer que todo o esforço é inútil, que ela não irá esquecê-lo por mais que tente (e acreditem que as tentativas são vastas e vãs). O mesmo sorriso enigmático estampado naquela foto velha, que a faz relembrar das noites estreladas, das gargalhadas gratuitas, do assunto infindável, do calor humano, do cheiro delicioso, do cabelo, das mãos, do beijo... Tudo o que tem lutado veemente para arrancar de si, a qualquer custo. Hoje já não existem noites como aquelas, a não ser as imortalizadas na memó...