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Mostrando postagens de setembro, 2014

Regeneração

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Dia desses houve um incêndio. Queimou árvores, a grama, tornando a paisagem cinza, o céu nublado diante da fumaça. O fogo consumia tudo ao redor, destruía os vestígios de vida. As chamas eram vistas ao longe: intimidavam pela magnitude, pelo aviso de perigo que emitiam à distância. Hoje, contudo, passando pelo mesmo local, Alice percebeu que a vida retornava. Observou que a natureza, mesmo sofrendo por causa da ignorância humana, sempre encontrava um meio de resistir e ressurgir ainda mais gloriosa. O verde renascia na paisagem e mostrava a força do seu esplendor: brotar novamente de onde, até pouco tempo, só havia cinzas. Alice refletia sobre a lição que acabara de aprender. Pensava que cada amanhecer, assim como o verde renascendo, era uma oportunidade de reconstrução. Uma forma de ressurgir das cinzas para uma nova vida, um meio de expurgar o que feriu ontem. A decisão de apagar as chamas que também consomem sentimentos, pensamentos e alegrias. Um novo dia trazia em si mesmo...

Sobre intensidade, amor, lágrimas e renúncias

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Não era fácil para Núria lidar com tanta intensidade. Carregar sobre os ombros o peso de não ser imparcial, de se posicionar sempre, de assumir riscos e arcar com as consequências. Não havia meios-termos, meias histórias, meio amor. Ou fazia sol ou a tempestade aparecia. Nada de gostar mais ou menos, de viver mais ou menos, de desejar pela metade. Não. Era oito ou oitenta, como dizem por aí. Não era simples sentir na alma o que a maioria das pessoas só sente no corpo. A dor de ser toda coração ainda era um sério problema: gargalhava com todo o seu ser. E sofria da mesma forma. Ali, embaixo do chuveiro por vários minutos, vivendo mais um episódio causado pelo excesso de intensidade, assumindo para si o fardo que é ser demais e tentando esquecer a razão das lágrimas, Núria pensava no futuro: há muito havia deixado de acreditar no amor - embora não tivesse conseguido deixar de percebê-lo e senti-lo em seu sangue, veias, artérias e poros. Ela era amor da cabeça aos pés, mas ...