Remoto
Manhã ensolarada, sentimentos, sensações, papel. O sol era o prenúncio de dias melhores. Entretanto, por mais que a tempestade houvesse cessado e o tempo se apresentasse agradável, ele parecia inacessível a Núria. Seus raios não iluminavam com a totalidade possível, ela não sentia em sua pele o calor abrasador que ele podia provocar. Anos a fio para poder vê-lo assim: distante. Um calor morno, uma luminosidade opaca. Enquanto caminhava pela casa, previa um futuro incerto, envolto no furacão de emoções que lhe invadiam o peito. Ali também o sol não havia chegado, apenas o mormaço, um indício de luz. Relembrava do silêncio, de estar lado a lado e não conseguir se expressar. Nenhum grito, nenhuma palavra. Sem vez. Sem voz. Apenas um nó sufocando-lhe a garganta, retirando-lhe o ar dos pulmões, pressionando-lhe o coração... Era impossível relatar sentimentos mudos. Por essa razão, o papel continuava em branco, embora o turbilhão quase explodisse dentro de si, um vulcão em erup...