Dueto
Ando por aí, Perdido entre um abraço e outro, Buscando olhares, Profanando o que antes fora tão sagrado. Louco, Aflito a saciar-me De prazeres mundanos, De corpos insanos Que tão pouco podem oferecer. Já em minh'alma está o desejo Do teu abraço caloroso, Da paz inebriante, Do olhar acolhedor. Na memória a lembrança De palavras tardias, De atitudes frias, Do que outrora tentava, já não tento. E nessa vida, Louca vida, dizia o poeta, Tudo se finda. E é assim que te vejo: Vazio, vago Vagando a esmo na escuridão do ser. Sujando-se na incerteza, Persistindo no erro, E afastando-se do que já houvera provado: O amor.