Cold memories
"Though winds of change Are throwing wild and free You ain't seen nothing like me yet." (Adele) Era somente mais uma noite de inverno: absurdamente fria. Embora o vento gélido estivesse no fim e fosse possível notar as mudanças que em breve seriam trazidas pela primavera, era visível o estrago que o gelo causara. Jardins congelados, flores murchas – que provavelmente ressurgiriam esplendorosas– espalhadas pelo quintal... Pássaros migravam, depois retornavam e, enquanto isso, Núria hibernava. Entorpecida em sua toca, entre sonhos surreais e promessas perdidas. Entre o limiar do real e o imaginário. Ausente de si mesma, imergida em lembranças, aguardava um alívio permanente, algo que dissipasse o frio excruciante que sentia. E assim mergulhava nas ideias guardadas, vagarosamente adentrava no mais profundo daquilo que jamais ousara admitir. Em sua mente, a mesma lembrança: caminhava por estradas até chegar ao local do qual jamais esquecera. Em instantes, via-se ...