Sobre a saudade
Mãos suadas e trêmulas, frio no estômago, atitudes infantis e inexplicáveis, incerteza das próprias palavras, atos e sentimentos. Tudo isso por causa de lampejos de breves instantes que se tornaram incalculavelmente presentes. Nostálgicos.
Ligações, carinho recíproco, mensagens, sorrisos e conversas; brigas intencionais, só para que houvesse, logo depois, uma reconciliação quase pacífica, entre elogios e críticas.
Lembrança da verdade, do olhar sincero, das palavras sérias e surpreendentemente maduras, do acolhimento e do respeito.
O que dizer então do abraço capaz de transformar emoções e paralisar instantes? Como esquecê-lo ou não sentir falta dele ao longo dos dias, se ele foi capaz de construir pontes em estradas abandonadas e ajudou a recuperar a paz há muito perdida?
A tua passagem tem trilha sonora e até filme correspondente. Por vez, os personagens parecem conhecidos e a trama acontece como um deja vú , em que o enredo se assemelha a uma história já transmitida em outros canais.
Frequentemente, os pensamentos se unem e se resumem a apenas um: aquela vírgula que interrompe bruscamente o desenrolar do conto. Não há coragem para pular capítulos e tentar descobrir como se dá o desfecho. O Se, antes mero coadjuvante, rouba a cena e se torna personagem principal, antagonista cruel dessa história. Pisa e maltrata o nobre Coração que, como todo bom moço, não reage e permanece à deriva, sem saber qual rumo tomar ou como prosseguir. A Saudade, companheira leal do Se, prossegue em sua cruzada rumo a memórias ainda vivas, bastando apenas um acontecimento para que ela entre em ação e vença a guerra, perdida desde o início.
Não há como definir a saudade sentida, quando se torna um erro declará-la publicamente. Especialmente porque o diretor do conto, você, não faz a menor ideia de que ela exista.
Não é fácil falar sobre saudade, sobre você; não é fácil saber que o tão esperado The End, depois do beijo cinematográfico, não ocorrerá. Não é fácil ficar sem você, não é fácil calar. Definitivamente, não é.

Inaíamiga
ResponderExcluirSó em Português é que existe a palavra SAUDADE, só nós que falamos esta nossa língua comum é que entendemos o significado extraordinário dela. Saudade não se traduz; sente-se.
Tomo a liberdade de aqui transcrever uma poesia popular portuguesa que é bem elucidativa do que escrevi:
Esta palavra saudade,
Aquele que a inventou,
A primeira vez que a disse,
Concerteza que chorou.
Quem sofre o mal da saudade,
Não acha alívio um momento;
Pois tem perto a enfermidade,
E longe o medicamento.
Saudade é sonho que treme,
Saudade é canto que chora,
É como um beijo que geme,
Como um ai que se evapora.
Saudade é como amar,
Alguém que foge de nós,
É como querer cantar,
E prender-se-nos a voz.
É dormir sem saber onde,
Chorar sem saber porquê,
Chamar quem não nos responde,
Abraçar quem não nos vê.
Gostei muito do teu blogue; já sou teu seguidor. Agora, espero por ti na Travessa. Vai depressa antes que eu morra de saudades...
Qjs = queijinhos = beijinhos
Saudade...sempre nos rende lindos textos, no entanto inquietação no coração! Um beijo querida!
ResponderExcluirOii .. passando pra agradecer o carinho em meu blog!
ResponderExcluirSempre que leio sobre saudade fico com o coração apertado, eh uma dorzinha que só se cura com a presença daquilo que já não temos mais em nossas vidas e talvez nunca volte a existir em nos!
BjoO querida!
Saudade é a mão que assume o leme ..
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