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Mostrando postagens de outubro, 2011

Sobre águas e brasas

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Tudo continuava igual, embora tão diferente. Tão real, mesmo que fosse inacreditável. Uma infinidade de mudanças e, ainda assim, a equivalência permanecia. Lá fora chovia. Era primavera, mas não se viam flores. Núria estava na janela, absorta em pensamentos, tentando lembrar quando fora a última vez que sorrira verdadeiramente, tal como estampava o porta-retrato propositalmente esquecido na mesa de cabeceira, junto com o seu passado. Não sabia há quanto tempo estava a observar a água cair do céu, molhar as árvores e enchê-las de vida, segundos antes de vir ao chão e escorrer pela rua deserta. Sentia vontade de sair e de se deixar renovar, assim como as folhas. De sentir a água molhando-lhe o corpo e a alma, purificando-lhe o coração. Uma limpeza completa – pensou – enquanto se afundava novamente em ideias e lembranças. De repente, algo lhe assustou e lhe prendeu a atenção: duas crianças que chegavam da escola pararam na rua e começaram a brincar na chuva. Depois, mais duas se a...