Reabastecer
Pensando na vida, em tudo o que ficou para trás e naquilo que sequer existiu, Laila permitiu-se fraquejar, pois nem sempre é possível se manter firme. Sendo assim, abraçou fortemente o travesseiro e desaguou. Uma a uma, as lágrimas jorravam e esvaziavam-na. Representavam a intensidade que carregava, os sonhos naufragados, o fato de ter se perdido no caminho e de estar tão distante do que imaginara um dia. O choro marcava os sonhos abandonados, os desejos ocultos, guardados a sete chaves, e todos os fantasmas com os quais convivia. O fato é que ela aguentava: o mau humor do chefe, a cobrança dos amigos, os sonhos adiados, a crise financeira, a responsabilidade em seus ombros, o coração cansado, as dúvidas sobre o destino – tão incerto quanto seus pensamentos. Carregava consigo todas as impossibilidades e, vez ou outra, desabava em lágrimas, para que pudesse se esvaziar de tanta intensidade e retomar a trilha. Tinha medo de estagnar, de desperdiçar o tempo, mas muito al...