Postagens

Mostrando postagens de dezembro, 2014

Sobretudo, amar.

Imagem
Para o Sr. Antonio Pereira da Silva (meu pai). Com amor. Nunca fomos amigos, verdade seja escrita. Talvez pela diferença de idade e pelo abismo que isto criou ou, quem sabe, por causa do gênio forte de ambos e da reserva quanto a demonstrar sentimentos. O fato é que, por muitos anos, eu o culpei, pai. Por não ter sido tão amoroso quanto minha mãe, por não ter nos abraçado muitas vezes durante a vida, por não ter tentado nos proteger contra tudo e contra todos como fez – e ainda faz – a dona Ester. Eu o culpei por um bom tempo e depois esqueci. Cresci e deixei tal preocupação, afinal, ela já não era importante, eu afirmava. Entretanto, lá no fundo tal mágoa continuava a existir. Todos os não-ditos e não-feitos gritando, mantendo aberta a ferida cultivada com tanto zelo durante os meus vinte e nove anos. Desse modo, deixei de perceber que eu também me privei de amá-lo plenamente e não só em alguns momentos. Deixei de notar que o senhor nos amou ao seu modo, com todos os ...