Cárcere
Gregor estava preso, mesmo sem ter cometido crime. Sentado na cama daquele quarto escuro, ele tentava encontrar razões. Sua mente estava confusa, dispersa. Sua voz era inaudível, não havia ninguém por perto. Tentava se recordar como parara ali. Em vão. Até onde se lembrava, sempre fora considerado um homem modelo, que respeitava e obedecia as convicções e brigava por elas. Socialmente era um bom companheiro, bom filho, bom amigo, um bom profissional. Anos a fio cumprindo suas obrigações, executando bem as tarefas que lhe eram conferidas. Mesmo assim, ele estava preso. Atado a correntes invisíveis, que lhe sufocavam a garganta e como garras afiadas impediam que a voz saísse. Uma vida baseada em cercar-se de certezas. Uma história permeada pela ausência de questionamentos, pelo costume de se acostumar. Ele estava trancado em si mesmo, amarrado às suas opiniões arraigadas. Vendado, não percebia que estava se ausentando de si e do que de fato o cercava. Obediente, deixava de perce...