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Mostrando postagens de maio, 2013

Notável

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Já era tarde. E uma sensação de que não havia nada para dizer. Apenas o olhar restava. A observação do que outrora estivera latente, embora pulsante. Núria guardava a certeza de que parariam naquele momento. Com aquele abraço, naquele afago, com aquele beijo capaz de fazer produzir sussurros infinitos. Enquanto havia a recordação boa, gostosa, livre. E para celebrar o que foi memorável, nada melhor do que um bom vinho, a lembrança, um sofá e aquele sorriso...

Um mundo doente

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Em frente a um sinal qualquer dessa imensa cidade, mais um João. Ou seria José, Antônio, Pedro, Rafael, Benedito? Poderia ser eu ou você. Eu, que reclamo quando não quero determinado tipo de alimento na minha refeição. O João – que para muitos é um ninguém – cata restos no grande contêiner ao lado da construção. Com uma garrafa de cachaça, ele engana o frio, espanta a fome, esquece-se de si mesmo. Terá tido um início feliz, filhos, um lar? Será que algum dia ouviu elogios, recebeu afagos, deitou-se em um colo? Será? No trânsito congestionado da capital do país, ele é apenas mais um – ou seria menos um? Sua dor e sua miséria não são percebidas. Talvez ele e a manilha de esgoto na qual está sentado sejam vistas como uma só coisa. Uma coisa. Imperceptível. Ninguém repara que ele gesticula, delira e bebe a cachaça, companheira de uma vida mendigada, usurpada. O João desse texto é apenas mais um retrato. O sofrimento dele não está aqui e nem estampado nos telejornais. O...

Síndrome de Narciso

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Ele é um deus grego. Típico protagonista de propaganda de moto importada. Jaqueta de couro, calça rasgada, capacete na mão. Quem vê é capaz de dizer que, quando ele anda, ressoa uma música que acompanha os seus passos. É sexy, gostoso, possui um corpo de fazer inveja a muitos homens, é financeiramente bem-estabelecido e sabe disso. O problema consiste exatamente ai: ele é só isso. Não há nada além do corpo e do status que possui. Como Narciso, é apaixonado por si mesmo, por seus músculos, por sua beleza incontestável – é bem verdade – mas tão frívola quanto passageira. Quem sabe ele possa proporcionar boas noites de sexo, jantares luxuosos, banhos de piscina ao pôr-do-sol, mas o encantamento morre tão breve quanto surge. Afinal, não dá para pensar em estabelecer laço algum com quem sequer consegue formular um diálogo, com quem valoriza apenas o que é externo e efêmero, com quem enaltece as aparências em detrimento do ser. Habituado a coleciona...