Leve
Ele lhe disse para esperar. Não com palavras, mas com aquele olhar de confiança. Assim. Simples e objetivo. Tinha uma ânsia por descobrir o universo, outras mulheres que podiam lhe oferecer uma gama de possibilidades. Era sedento de outros corpos, outras bocas, outros sabores. E quando se cansasse, reiniciaria a sua busca. Quem sabe um dia ele voltasse. – Você esperará, meu bem? - disse, em meio ao sorriso cínico e às suas juras. Sempre falhas. Na inocência de outrora, Núria disse sim em silêncio. Mesmo sem admitir, esperou que ele se divertisse, que esgotasse a sua necessidade de ser (e ter) o mundo e que reconhecesse que, numa casa florida, bem cuidada e arejada, havia um lugar único só dele. Esperando que parasse de fugir de si mesmo e do que (ela supunha) ele sentia. Contudo, quão previsível poderia parecer, ele não retornou. Nem ao menos para se justificar, afinal, o pedido de espera era, no fundo, um adeus. Velado. Covarde. Núria so...