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Mostrando postagens de fevereiro, 2011

Essencial

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Simplesmente o vejo em todos os lugares, ele que não me vê. Passa distraído por mim, travesso, inquieto, hiperativo. Salta de galho em galho, faz questão de aparecer e, repentinamente, quando tento agarrá-lo, ele foge. Deixa apenas lembranças, rastros. E se vai. Não importa o quão boa eu seja, o bem que deseje ou o quanto deseje possuí-lo. Ele não se importa. E, nesse meio-tempo, continua com suas peraltices, suas artimanhas e estratégias. Disfarça-se e passa despercebido, ou então está ali, visível, palpável, mas não o enxergamos ou valorizamos. Então, ele novamente se vai. Muitos outros tentam assumir a sua posição, mas são enganosos e acabam tão rápido quanto chegam. Entretanto, esses deixam marcas, cicatrizes que criam barreiras e que, por sua vez,instauram mecanismos de defesa e uma desconfiança permanente. E onde ele está nesse momento? Vigiando de algum lugar, bem escondido e, provavelmente, sorrindo da ansiedade que, de forma alguma, combina com ele. Esboça uma leve aproxima...

Discurso da colação de grau (Letras-Português)

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Como muitos sabem por causa do twitter e das outras redes sociais, a minha colação de grau foi ontem, momento inexplícável e único. E mesmo com todas as adversidades do dia, agradeço imensamente por tudo o que vivenciei ontem: a certeza de ter pessoas tão fiéis e tão lindas que será impossível descrever aqui o quanto as amo. Bom, mas o motivo desse post é dividir com vocês, aqui do blog, pessoas que também me acompanham e comentam o que escrevo, um pouco dessa minha vida real. Portanto, resolvi publicar o meu discurso como oradora da última turma de Letras da Faculdade LS. O que vocês lerão é a versão definitiva, com as devidas revisões, tal qual eu o pronunciei ontem. Espero que gostem. Ei-lo: Saúdo agora a senhora Diretora da faculdade LS, Madalena Guedes D’Ângelo, os paraninfos, os professores e as demais autoridades aqui presentes; e também os senhores pais e convidados. Prezados colegas, formandos do curso de licenciatura em Letras-Português: agradeço por terem confiado a mi...

Lágrimas e chuva

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São apenas lágrimas essas que escorrem pelo meu rosto. Ou talvez sejam mais do que isso.Eu sei que são. A chuva ainda cai, não mais lá fora, mas aqui dentro, progressiva e incessantemente. A ausência que salienta profundamente algumas marcas e reaviva dores até então esquecidas. Ausentes estão o encanto e a doçura, o reconhecimento, a importância. Como se essa existência não denotasse nada, nada que devesse ser memorado, nada que despertasse orgulho. Agora, aqui, apenas essas lágrimas. Pungentes, dilacerantes. De dor sim, mas com uma carga significativa muito maior: são lágrimas pelo vazio, pela falta. Um choro pela própria ausência em mim revestida.

(In)coerente

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Plantando flores no jardim da alma, dissipando tempestades e ventos contrários, velejando, remando, construindo, reconstruindo, deixando estar. Numa felicidade edificada diariamente, tijolo por tijolo, menos avassaladora. Com a calmaria e racionalidade necessárias para manter essa sensação, de modo que ela não seja passageira. Ainda assim, um sentimento inexato habita os pensamentos e confunde o coração: reticências o expressam melhor, já que não há definições cabíveis que consigam abarcá-lo, a fim de traduzir sua essência. São eternas suposições, interrogações inúmeras sobre o ser inacabado e (in)coerente que sempre fui. Modificações aqui, reformas acolá. E mais uma fênix ressurge. Entretanto, tantas reconstruções fazem rachaduras no projeto original e, às vezes, fendas enormes. Aí que entra a ausência de preenchimento,de completude, de reciprocidade. Intensidade devolvida da mesma maneira que é enviada. Por que não? Sem meio-termos, sem delongas, demoras, jogos de afinidade....

Reinventar

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Ouço a chuva lá fora. Incessante. Os pingos que caem harmoniosamente, num balé ensaiado, em que o Criador é o grande responsável pelo espetáculo. Depois de tudo, os raios solares invadem espaços e os inundam de energia e luz. Assim procede conosco. Ao findar da tempestade, surgem os raios de renascimento. E é de forma inesperada e inusitada que ocorre. Sem data, hora ou lugares marcados. Sem presciência, telefonemas, emails, nada. Apenas chega e, vagarosamente, começa a ganhar espaço. A partir de então, eis que esquecemos quantas tormentas já enfrentamos, atentando-nos apenas para o arco-íris que surgiu. Uma maneira que Deus encontrou para dizer que há sempre saída e renovação. A nós? Basta crer. A nossa capacidade de nos reinventar sempre que necessário é intrigante e interessante ao mesmo tempo. Abandonar barcos naufragados, reunir a bagagem, partir e recomeçar. Assim temos a oportunidade de reconstruir o que foi quebrado, de comparar atitudes que já tomamos, de aprender e de n...

Luz

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E assim, como uma luz que surge quando menos se espera, eis que vem. Traz confiança, paz de espírito, calmaria, força para prosseguir. Vem para acrescentar, somar alegrias e inspiração. Mansamente, sem a preocupação de acontecer depressa, pois o delicioso é experimentar cada sensação. Vem sim, bem se sabe, mas às vezes há dúvidas quanto ao tempo para chegar. Será que demora muito? Depois de tanto tempo, será que ainda encontra o caminho para o qual foi destinada? A verdade é que quando se desiste de buscá-la de forma insana, ela aparece na sua janela, bate à sua porta, pede abrigo e estadia. Travessa, geniosa, fugidia... Precisa de atenção especial, pois qualquer deslize cometido faz com que ela arrume sua bagagem e parta em busca de alguém que a mereça. Cantarolando sempre, brinca entre as flores, persegue borboletas nos jardins bem cuidados pelos quais transita livremente. E não tente segurá-la, ela não é adepta a prisões. Diria até que é claustrofóbica, não sobrevive em lugar...