Ponte
Confesso o medo que tenho dos volúveis, daqueles que trocam de amor como mudam de roupa. Tenho medo de quem não olha nos olhos, de quem fala de amor e não se permite experimentar. Horror de quem crê em pares perfeitos, de quem acha que sem esforço é possível amar (e manter) tal sentimento. De quem acredita que há metades espalhadas pelo mundo e que, cedo ou tarde, elas se cruzarão e... PUF! Um encanto mágico as envolverá, elas se completarão e já não mais viverão sem a outra. Desconfio de quem beija de olhos abertos, de quem não se permite a entrega, daqueles que evitam loucuras, banhos de chuva, abraços demorados, gargalhadas à luz do luar e diálogos bobos e recheados de sorrisos. Também tenho medo de quem confunde amor com paixão, com necessidade do outro, com sexo – que por melhor que seja, sem amor, é apenas o roçar de corpos sedentos. Amar é doar-se. É saber que, em determinados momentos, renunciar será preciso. É também construir e reconstruir. Sem cessar. Quantas veze...