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Mostrando postagens de 2012

Reverência

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"Por isso essa força estranha no ar... Por isso é que eu canto, não posso parar. Por isso essa voz tamanha..." (Força estranha – R. Carlos) Não é fácil perder. Ver partir quem tanto se amou, como um traço no céu, uma nuvem que se desloca, o vapor que se esvai. Ao mesmo tempo, quão difícil deve ser perder e ganhar. Ir embora quem tanto representou e chegar alguém para amar, cuidar, velar e proteger. Além da responsabilidade de dormir garotinha e, repentinamente, acordar mulher, ganhastes também o dom de amar. Além da vida, para muito além das lágrimas ou da incompreensão. Percebo em ti o olhar que brilha, o sorriso, o amor palpável que me alcança, envolve e me faz ter orgulho de ti. Muito mais que irmã, és porto-seguro, alívio, abraço, aconchego, compreensão. É com você que o pequeno Davi aprenderá a respeitar, a cuidar, a ter valores. É você que mostrará pra ele uma essência trazida em sua alma, cravada em seu coração. É por você que ele saberá o sim e ...

Meia-luz

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Penumbra. Velas. Aromas. Vinho. Lençóis. Eram dois: carícias, abraços, roçar de lábios. A magia crescente, a atração, o desejo. A ânsia, o querer. E, em meio à volúpia, eram apelos, apertos, puxões de cabelo, roupas no chão, abraços, beijos, línguas, toque. Ardentes. Eram também lençóis, espaços, preenchimento. Suficientes um ao outro. Loucura e vontade adocicada pelo sentimento e ansiosas pelo ardor. Bocas desejosas, mãos sedentas, corpos que se completavam, que se entendiam. Necessitados um do outro, ávidos pelo pulsar acelerado, pela respiração ofegante, pelo tremor firme e doce. Impiedosos, implacáveis. Eram sinfonia, sintonia, harmonia, sensações, espasmos. Eram alma. Ápice. Eram um só. Imunes ao julgamento alheio. Perdoados. Afinal, não pode ser tão errado amar.

Setembrar

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Apesar dos contratempos, das tempestades e das folhas caídas no chão, vale a pena recomeçar. Renascer, reabrir-se em flor, ipê amarelo que desabrocha através de galhos secos e embeleza, renova, atrai, ilumina. Setembro ensina que se reinventar é uma necessidade. Setembro de alegrias, esperanças, tristezas, beleza, decepções e surpresas. Setembro de comemorações. Setembrar – vocábulo que não existe – significa valorizar. Saber que as adversidades não podem e nem devem ser maiores do que a vontade de progredir. Aprender que o que é singelo sempre oferece uma lição, mas saber enxergar é preciso. Celebrar setembro, portanto, é 'setembrar'. Perceber que em qualquer galho seco há a possibilidade de ressurgir a vida, esplendorosa, espetáculo particular e inenarrável. Acolher o outro, abraçar, sentir e se permitir também é setembrar. Deixar no passado as mágoas e permitir o perdão, benefício dos que sabem o que é a paz de espírito, principalmente. Sorrir, correr, dançar, i...

É preciso amor pra poder pulsar

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"Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria." (Monte Castelo – Legião Urbana) Sobram dúvidas, aspirações, concepções, sobram eus. Vários, espalhados pelo mundo, arrotando as suas verdades tão arraigadas, suas doutrinas tão próprias, defendidas de modo ferrenho, inadmitindo opiniões contrárias. Tão cegos, egoístas, vestidos numa falsa roupagem. De fato, buscando a realização pessoal, o progresso próprio, enaltecendo suas opiniões, seus anseios, seus conhecimentos adquiridos e, principalmente, as suas interpretações. Nos falta amor. Eis o mal da humanidade. Amor para reconhecer no outro uma luz diferente e respeitá-la, acima de qualquer coisa. Amor para respeitar opiniões contrárias, para entender que o outro tem pleno direito de pensar de modo divergente e conduzir sua vida do jeito que melhor lhe parecer. Nos falta amor para olhar para o outro como humano – e não como bicho – e compreender que somos parte da mesma ma...

Em outra vida

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São 730 dias e um fim não imaginado. Natural, inevitável. Ainda assim, muita coisa permanecia. Não o desejo de reatar laços, reconstruir pontes, mas as lembranças do que um dia foi grande. Cheiros, sensações, músicas... Marcaram, fazem relembrar. Um sorriso percorre os lábios enquanto se recorda do abraço acolhedor e envolvente, do sorriso ao acordar, das massagens, das loucuras, das conversas, das brigas e reconciliações. Histórias. Outro tempo, outras pessoas. Quem sabe tudo tenha ocorrido em outra era e caminhado para o rumo necessário, imutável que se tornou. Um abismo enorme entre o antes e o agora, entre a necessidade de prosseguir e o reconhecimento dos fatos, da importância de ambos. Entretanto, muito ainda está aqui. Faz parte do que se aprendeu, incorporou-se a este ser e lhe deu novos ares, outros pensamentos, uma nova roupagem. Mas no fundo, bem lá no fundinho, a essência é a mesma e pouca coisa mudou: ainda se vê filme aos finais de semana e se olha para o lado agu...

Sobre o Eu te amo!

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Eu te amo não é bom dia! Sim, é uma frase pronta, digna de uma das comunidades do falecido Orkut. Mas completamente atual e verdadeira. Tem-se hoje uma facilidade crescente de proferir o amor. Conheceram-se hoje? Pronto! No outro dia já estão amando. E então começa a ladainha: declarações de amor eterno, fotos, frases, muitos e muitos compartilhamentos. As pessoas precisam mostrar para o mundo que são felizes, que trocaram de par, que este é melhor do que aquele... Na necessidade de se autoafirmarem como bem-sucedidas amorosamente, gritam para o mundo que o amor chegou. Um amor a cada mês, ou menos, quem sabe... Por essa razão e pela falta de constância, vê-se o aumento do "Eu te amo" estampado nas redes sociais, nos juramentos de amor que acabam quando a primeira dificuldade vem. Muitas palavras, poucas atitudes. E pessoas mais frias, mais vazias, menos crentes. O amor deveria nos tornar melhores. Deveria nos engrandecer e nos fazer admirar, perdoar e respeitar, aci...

Philia

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"Quantos amores jurados pra sempre? Quantos você conseguiu preservar?" (Oswaldo Montenegro) Aquela era a família que escolhi. Queria sim ter podido permanecer nela,  por causa deles, mas a amizade construída vale bem mais. Estou certa disso. Afinal, eles são dessas pessoas raras, que encantam com o melhor que há – a simplicidade. Vivem com vontade: gargalham, abraçam apertado, conversam olhando nos olhos. Transmitem amor no jeito de ser, no carinho com que conversam, nas brincadeiras tão próprias e engraçadas. Têm a alma lavada, o coração limpo, o sorriso estampado. Sabem amar além das teorias e das convenções. Amam inteiramente, de um jeito bonito e verdadeiro. Eles são exemplo. Dessas pessoas com as quais se cruza diariamente nas ruas e que parecem tão comuns, mas ali, dentro daquele invólucro mortal, se encontram verdadeiros tesouros, algo que transcende, transborda, enobrece e conquista. São lindos, pessoas admiráveis e guerreiras. Têm caráter, força de v...

In essentia

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"E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm." (Fernando Pessoa) – Mais uma dose, por favor! De palavras. Para externar a vontade e minimizar a angústia e a dor. Sento na cadeira do Ideal em que me encontro – sim, este é o nome do bar – e me sirvo delas em taças cheias, sem distinção ou pudor. Sinto-me inebriar enquanto elas percorrem vagarosamente as veias, unem-se ao sangue, aquecem a pele, provocam estímulos cerebrais. Embriago-me... Não paro. E incansavelmente preencho as taças e saboreio o néctar que delas emana. Companheiras de uma vida, conselheiras que, de tão costumeiras, se tornaram essência. Corpo inerte que se move porque elas existem. E renovam, esquentam, abastecem, suprem, acariciam. Libertam. Certas vezes, amigas. Dignificam. Em outras, carrascas. Açoitam. Insanas e lúcidas, paradoxais, contraditórias, metafóricas, surreais. Viciantes. Não há tratamento que permita se livrar delas aq...

A verdade

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Entre becos e vielas, lugares esmos, passarelas, edifícios abandonados e jardins. Passam a vida inteira procurando amor. Entre baladas e risadas, arrotando para o mundo a felicidade estampada em cada copo, a cada brinde, em cada corpo. Ainda assim. Estão desesperadamente buscando amor. O garanhão, a piriguete, a desiludida, o conformado, a sonhadora, a magoada, a mal-amada, o baladeiro e o sonhador. Perdidos, frustrados. Esperam ansiosamente pelo amor. Que alguém surja para verdadeiramente somar e para os fazer crer que ensinaram certo, que ainda vale a pena sentir. Querem amar, não sabem como. No meio de tantas desilusões, de tantos caminhos tortuosos e banalizados, desaprenderam como se faz. Passam a vida inteira buscando, despendendo sentimentos, caindo e se reerguendo, afinal, não há fórmula para acertar e muito menos um manual. Aprendem a ser fortes, a suportar, a se tornar mais duros, a sobreviver. Substituem o desejo de algo verdadeiro por (f)utilidades, diversões, curtiçõe...

Sobre as (im)possibilidades

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Uma proximidade que arrasta, distancia, afasta. A ausência dessa presença tão sentida, tocável e pulsante. Ausentes também os afagos, os abraços, os sorrisos, o roçar dos lábios, ainda que assim: vivos. Presentes a saudade, a infinidade de possibilidades impossíveis, o silenciar de palavras mudas, o toque de mãos que jamais se cruzaram. Presentes, mesmo na distância, o gosto de momentos que não ocorreram: de beijos apaixonados, de abraços sentidos. Vários caminhos e tantos de nós trilhando de mãos dadas. Ainda que a estrada seja tortuosa, ainda que haja pedregulhos e arames farpados. Ainda que o céu desabe, que a neblina cegue, que a montanha desmorone. Ainda que a incerteza do amanhã torne difícil reconhecer onde a trilha vai dar. Tantos de nós arriscando felicidades construídas em terrenos bem menos produtivos. Tantos caminhando a passos largos. Tantos por ai, permitindo-se. E nós, esses nós... Enrolados, entranhados, profundos. Uma proximidade distante. Uma (im)possibilidade.

Remoto

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Manhã ensolarada, sentimentos, sensações, papel. O sol era o prenúncio de dias melhores. Entretanto, por mais que a tempestade houvesse cessado e o tempo se apresentasse agradável, ele parecia inacessível a Núria. Seus raios não iluminavam com a totalidade possível, ela não sentia em sua pele o calor abrasador que ele podia provocar. Anos a fio para poder vê-lo assim: distante. Um calor morno, uma luminosidade opaca. Enquanto caminhava pela casa, previa um futuro incerto, envolto no furacão de emoções que lhe invadiam o peito. Ali também o sol não havia chegado, apenas o mormaço, um indício de luz. Relembrava do silêncio, de estar lado a lado e não conseguir se expressar. Nenhum grito, nenhuma palavra. Sem vez. Sem voz. Apenas um nó sufocando-lhe a garganta, retirando-lhe o ar dos pulmões, pressionando-lhe o coração... Era impossível relatar sentimentos mudos. Por essa razão, o papel continuava em branco, embora o turbilhão quase explodisse dentro de si, um vulcão em erup...

Aurora

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Simplesmente sorriu. Sem palavras pré-planejadas, sem arquitetar o que quer que fosse. Natural como a vida é, sorriu. E só. Não um sorriso qualquer, mas um repleto de alma, de força, límpido. Chegou e arrancou a amargura, fincou um gosto bom de fruta colhida no pé naquela angústia que parecia não findar. E ela findou. Trouxe consigo fé, sorrisos e conselhos, conversas maduras, clareza e sinceridade. Bom é olhar para o caminho agora e saber que você estará lá, independente de qualquer resultado ou destino. Bom é saber que, quando a dor apertar ou a estrada for tortuosa demais, você dirá algo que fará total sentido e que dará ânimo para continuar. Como é bom conversar contigo sobre tantas coisas em comum (exceto as nossas preferências sobre futebol), como é magnífico ouvi-lo falar sobre Deus de uma forma particular e exclusiva. Como é maravilhoso enfrentar chuva e sol, as pessoas passando naquela praça só nossa, embora pública e movimentada, só para estar um pouco mais perto de ti,...

O beijo

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O início de tudo. De qualquer contato mais íntimo. Talvez o mais pessoal. O momento em que se adentra na vida do outro, em sua saliva, em seu gosto, em um universo particular: único, especial e verdadeiro. Se o primeiro for bom, milhares virão, certamente. E outros, outros e muitos outros, substituindo a tecla racional pelo feeling , pela maravilhosa sensação de fechar os olhos e se deixar mergulhar no desconhecido. O embalar de duas bocas, dois corações, duas almas em um só ritmo. A dualidade. Dois príncipios, duas realidades, duas vidas. A união. Tem-se o ato primordial em uma relação entre homens e mulheres. O primeiro momento em que se permite sentir, sem discriminações. Afinal , pode ser que o outro não corresponda ao que se idealizou, às expectativas criadas, mas no instante do beijo essas especulações são esquecidas. Entra-se em um mundo novo, repleto de descobertas, de caminhos a percorrer. Contudo, engana-se quem pensa que beijo é apenas pele. Beijo é, sobretudo, alma, to...

Põe aqui tua mão...

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Muitos concordariam em me dizer que diante de tantas catástrofes e desastres naturais, de tanta violência, sofrimento, tristezas e lágrimas, e em meio à humanidade corrompida e cruel, a ideia da existência de Deus é absurda e irracional. De outro modo, onde estaria este ser supremo e onipotente que permite que todas essas mazelas aconteçam? Onde estaria o seu poder de mudar a realidade num estalar de dedos? Se ele existe mesmo, por qual razão há tanto mal propagado? O contexto social é realmente desanimador: mortes, violência, crueldade, miséria, irracionalidade midiática, relativismo e individualismo. Vivemos em um mundo que exige de nós a globalização também de sentimentos e valores, numa mudança de época diária. Os valores sob os quais antigamente fundamentávamos nossas vidas, hoje são relativos, dependem exclusivamente das nossas urgências. Temos necessidade de racionalizar e, na condição de questionadores por excelência e críticos por convicção, fica impossível conceber a idei...