Põe aqui tua mão...


Muitos concordariam em me dizer que diante de tantas catástrofes e desastres naturais, de tanta violência, sofrimento, tristezas e lágrimas, e em meio à humanidade corrompida e cruel, a ideia da existência de Deus é absurda e irracional. De outro modo, onde estaria este ser supremo e onipotente que permite que todas essas mazelas aconteçam? Onde estaria o seu poder de mudar a realidade num estalar de dedos? Se ele existe mesmo, por qual razão há tanto mal propagado?
O contexto social é realmente desanimador: mortes, violência, crueldade, miséria, irracionalidade midiática, relativismo e individualismo. Vivemos em um mundo que exige de nós a globalização também de sentimentos e valores, numa mudança de época diária.
Os valores sob os quais antigamente fundamentávamos nossas vidas, hoje são relativos, dependem exclusivamente das nossas urgências.
Temos necessidade de racionalizar e, na condição de questionadores por excelência e críticos por convicção, fica impossível conceber a ideia de um Deus que não se pode ver. Mais absurdo ainda é pensar na existência de um Ser que, sendo detentor de todo o poder, fez-se homem para morrer humilhado, desprezado, como escória da humanidade simplesmente por amá-la em tudo.
E por que é tão complicado crer nisso? Exatamente por termos perdido a capacidade de amar genuinamente, de nos doar, de compreender algo que não englobe apenas os nossos desejos e interesses.
Deixamos de crer em uma verdade maior: o bem. E isso porque, como disse Chaplin no Último discurso (de O grande ditador): " Pensamos em demasia e sentimos bem pouco."
Precisamos de razões para acreditar em tudo. Sendo assim, descremos da presença do que é Divino por não conseguirmos provar sua existência ou por não acreditarmos mais em valores fundamentais como o amor, o bem e a caridade.
A era de consumo e egoísmo impede de nos aproximar do que não é palpável, visível. As nossas escolhas nos afastam do Amor, mas recusamos essa culpa, afinal, se há alguém que pode destruir os males, por qual razão não o faz?
Esquecemo-nos de que optamos diariamente por caminhos e raramente pensamos em ser melhores ou nas consequências das nossas decisões, mas quando nossas escolhas nos frustram, então encontramos uma força maior para culpar pela ausência, inexistência ou apatia diante da tragédia humana.
Estamos sem diretrizes, meus caros, e a situação só piora. Cremos em tudo, em teorias infinitas, mas quando nos pedem para acreditar em um Bem Maior, algo que possa nos tornar pessoas mais humanas, que possa nos ajudar a crescer, então precisamos de provas. E tal como Tomé, temos a necessidade de tocar nas feridas, de ver as marcas do pregos, de sentir na cabeça a marca de cada espinho...
Sim, eu creio em Deus. E o vejo todos os dias: no sorriso puro dos meus sobrinhos, na beleza e no azul do céu, na imensidão do horizonte, no nascer e no pôr-do-sol, na chuva que lava a terra e traz renascimento e vida, no abraço da minha mãe, nos inúmeros seres que existiram e nos que ainda existem e se preocupam com o próximo, naqueles que encontro pelo caminho e me transmitem paz, amizade e amor sinceros e também naqueles que mesmo estamos numa sociedade desvirtuada, não se corromperam e lutam por justiça, solidariedade e igualdade. Isto é viver o Cristo, o Amor sem limites, é retornar à essência perdida.
Eu creio no Amor, no Bem e me recuso a deixar de acreditar, pois essa presença em meu coração é a melhor experiência que pude conhecer. Vejo essa Verdade transformar vidas e pessoas, sendo capaz de tocá-las no mais profundo do ser. Presencio pequenos milagres todos os dias, esses que, pelo fato de estarmos tão cegos, não atentamos mais...
Acredito em Cristo, que se deu unicamente por me amar demais. Entregou-se por mim, sofreu, carregou (e carrega) consigo as minhas dores. Para mim, Ele é a personificação do verdadeiro Amor.
Crer no divino, portanto, é uma questão de fé, de voltar a valorizar a dignidade da pessoa humana, de recuperar o que há de melhor em nós e foi esquecido. Enfim, é uma chance que temos de retornar ao Amor genuíno, ágape, transcendental.
Para tanto, basta que nos permitamos, basta nos dispormos a entregar nosso coração de maneira profunda, intensa, estando certos de que algo maravilhoso poderá (e irá) ocorrer em nosso íntimo.

Comentários

  1. Concordo com tudo que você disse. O problema é que também tem o lance do livre arbitrio, na hora de culpar Deus ninguém lembra disso.
    Costumo dizer que, sabe algo bom que há em nós?
    É Deus!
    Ótimo texto moça! =*

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  2. achei interessante o seu texto, tem fundamento. mas nem sempre acreditar plenamente numa coisa é bom. tomar os valores da igreja como valores universais, por exemplo. não sei se é o seu caso, é só uma reflexão haha.De qualquer maneira, I ♥ Jesus (: beijos

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