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Mostrando postagens de abril, 2017

Meio cheio, meio vazio

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Ontem à noite, com o rosto em meio aos travesseiros, eu chorei. Mais uma vez. Uma a uma, as lágrimas saíam para aliviar o que as palavras já não eram capazes de dizer. Durante o dia fingi ser feliz, mas à noite isso já não era necessário. Ali, na escuridão do quarto, onde mais ninguém esperava que fosse forte, amável e paciente, onde ninguém me pediria para ter fé, eu chorei. Porque a vida já não bastava e os dias não eram bons. Porque camuflar a tristeza e esboçar um sorriso oco dilacerava o coração. No canto do quarto, entre os não-ditos que angustiavam e a incerteza do amanhã, entre os milhões de pensamentos e o silêncio gritante, entre a indiferença e a escuridão, eu chorei. Desabei em mim, reuni minhas dores e as celebrei com lágrimas. Sem platéias, sem perguntas desinteressadas, sem falsas preocupações. Apenas uma mulher, suas misérias e a água que lhe escorria pelos olhos. E nada mais - mesmo que esse nada signifique tanto. 

Stronger

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Sexta à noite, um café, uma boa música. Entre um acorde e outro, Núria refletia sobre a sua capacidade de recomeçar. Escutando a letra da canção que dizia "you shoot me down, but I get up", ela pensava em todas as vezes que precisou se reerguer e continuar. De cabeça erguida e de coração dilacerado, insistia em prosseguir, mesmo debaixo de maus ventos, de tempestades e dos olhares alheios. O fato é que o mundo não esperava a sua completa reconstrução: era preciso ser filha, amiga, profissional, parceira. Era necessário esboçar um sorriso, camuflar a tristeza, engolir o choro e afirmar que sim, estava tudo bem. Aos poucos, e de tanto repetir, a informação ia se tornando verdade, criando uma crosta que escondia as feridas alcançadas ao logo do caminho. As marcas, entretanto, permaneciam lá, trazendo aprendizados, tornando o passo mais firme e a cabeça menos sonhadora. Ao final de mais um dia de expediente, ela concordava que ser adulta implicava se reinventar diar...