Meio cheio, meio vazio


Ontem à noite, com o rosto em meio aos travesseiros, eu chorei. Mais uma vez. Uma a uma, as lágrimas saíam para aliviar o que as palavras já não eram capazes de dizer.
Durante o dia fingi ser feliz, mas à noite isso já não era necessário. Ali, na escuridão do quarto, onde mais ninguém esperava que fosse forte, amável e paciente, onde ninguém me pediria para ter fé, eu chorei. Porque a vida já não bastava e os dias não eram bons. Porque camuflar a tristeza e esboçar um sorriso oco dilacerava o coração.
No canto do quarto, entre os não-ditos que angustiavam e a incerteza do amanhã, entre os milhões de pensamentos e o silêncio gritante, entre a indiferença e a escuridão, eu chorei. Desabei em mim, reuni minhas dores e as celebrei com lágrimas. Sem platéias, sem perguntas desinteressadas, sem falsas preocupações.
Apenas uma mulher, suas misérias e a água que lhe escorria pelos olhos. E nada mais - mesmo que esse nada signifique tanto. 


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