Stronger



Sexta à noite, um café, uma boa música.
Entre um acorde e outro, Núria refletia sobre a sua capacidade de recomeçar. Escutando a letra da canção que dizia "you shoot me down, but I get up", ela pensava em todas as vezes que precisou se reerguer e continuar.
De cabeça erguida e de coração dilacerado, insistia em prosseguir, mesmo debaixo de maus ventos, de tempestades e dos olhares alheios. O fato é que o mundo não esperava a sua completa reconstrução: era preciso ser filha, amiga, profissional, parceira. Era necessário esboçar um sorriso, camuflar a tristeza, engolir o choro e afirmar que sim, estava tudo bem.
Aos poucos, e de tanto repetir, a informação ia se tornando verdade, criando uma crosta que escondia as feridas alcançadas ao logo do caminho. As marcas, entretanto, permaneciam lá, trazendo aprendizados, tornando o passo mais firme e a cabeça menos sonhadora.
Ao final de mais um dia de expediente, ela concordava que ser adulta implicava se reinventar diariamente. Que a vida exigia um encaixar de peças sob o olhar atento de quem já apanhara bastante para saber que ser forte é a maior das exigências, pois só quem é assim consegue sobreviver a um tornado de emoções, de provações e de cobranças.
Lembrando-se de todas as situações difíceis que já enfrentara, das vezes em que jurara não ter mais forças, recordou-se também de que sempre havia um último suspiro. E diferente do que imaginava, ele não a fazia esmorecer, mas permitia um impulso que novamente a colocava de pé. 
Quem sabe - pensava com suas letras e canções - sejamos mesmo feitos de titânio. Forjados para existir, e o mais importante: resistir. 



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