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Mostrando postagens de abril, 2015

Dissimulada

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Jéssica vai à igreja. É doce, meiga, delicada, religiosa. Uma mulher de verdade, os puritanos diriam. Não usa decotes, não fala palavrões, tem horror às mulheres consideradas fáceis, repudia quem maltrata os animaizinhos, gosta de usar rosa, de brincar com criancinhas indefesas, de ser polida, educada e amável por onde passa. Não bebe, é contida. Não beija de língua, não permite amassos, pretende casar virgem... Pelo menos é nisso que ela quer que acreditem. Não admite excessos: diante dos outros, seus atos são comedidos, calculados, corretos. Observando-a a fundo, entretanto, percebe-se a farsa ela representa. Não ingere bebidas alcoólicas, mas seus lábios destilam veneno. Não fala palavrões, contudo, sua alma está cheia de maldade. Faz-se de recatada, porém, envolveu-se com o namorado de uma "irmã" em um retiro espiritual e já fez loucuras na cama com o ex-namorado, mesmo afirmando o contrário.  Diz que pretende ter um namoro com propósito e, sem poupar esforços...

Aguente: ela te esqueceu

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Depois de anos, reencontraram-se. Um encontro fruto do acaso, do destino, este exímio mestre em pregar peças. Dessa vez, contudo, ela estava bem. Segura de si, sorriso no rosto, coração em paz. Liberta. Juan assustou-se: aquela já não era a mesma mulher com quem convivera. Ela agora trazia uma certeza no olhar, batom vermelho na boca e uma sensualidade em sua essência. Ele a avistou de longe. Ainda reconhecia o caminhar, as jogadas de cabelo e o rebolado que, antigamente, ela afirmava não possuir. Algo, porém, mudara: não havia nela resquício da menina de antes. Olhando-a assim, ele não conseguia perceber nenhum traço da inocência e da doçura que eram tão características da mulher que ele deixara. Mulher... Juan nunca havia pensado nela daquela forma. Ela era um anjo, uma menina quando se conheceram. Com o passar do tempo, havia se transformado, é verdade, mas não abandonara a meiguice que a constituía. Ali, entretanto, era uma mulher que ele via. Dona de si e dos olhare...