Sobre o caos, a dor e posturas
Eu não tinha irmãos naquela boate, tampouco amigos, sobrinhos, um namorado ou um conhecido. Ninguém que senta ao meu lado no ônibus, ninguém que me dá bom dia no elevador, ninguém que atendo ocasionalmente no trabalho ou que esbarra comigo na rua estava naquele lugar. Ainda assim, é impossível não sentir o aperto no peito e o nó na garganta diante de tanta vida perdida. As vítimas eram desconhecidas pra mim, mas não dá para ser indiferente. Não quando se vê o desespero de pais que perderam os únicos filhos, quando se vê aniquilados tantos sonhos e vidas para serem construídas. Não estamos aptos para lidar com a morte. Jamais estaremos. Muito menos quando ela se apresenta assim: brutal e sem razões. Contudo, o que mais me impressiona são os posicionamentos dos seres (nomeados) humanos. Gente que afirma que se aqueles jovens estivessem na igreja, louvando a Deus (que, diante de tais construções bizarras, se torna uma força totalmente tirana e cruel), seriam poupados...