Banal

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A humanidade reclama que sente um vazio inexplicável, que sofre, chora, sente falta de algo, sem saber o porquê e o que é.
Nunca ouvi e li tanto sobre amor como nos últimos tempos. Esse genuíno, que brota do âmago do nosso ser e que não é passageiro, ao contrário, eterniza-se.
Temos sentido falta de sentimentos verdadeiros, de reciprocidade, cumplicidade e entrega. Temos nos sentido sós.
No entanto, o amor, motivo central de nossa busca por felicidade, tem sido banalizado e confundido com prazer carnal, com objeto descartável.
Criamos uma cultura que vulgariza o que tem valor e substitui por outra, mais rentável, prazerosa e transitória, por assim dizer. Tem-se, portanto, a valorização do sexo (casual, instintivo) como algo que pode nos trazer a mesma sensação de completude e grandeza que o amor proporciona. Uma falácia que é absorvida por muitos e transformada em estilo de vida.
Contudo, quanto mais se banaliza e se tenta substituir algo tão nobre, mais vazio se torna, numa solidão que se arraiga e mina a verdadeira capacidade de amar. E, depois de usados, decepcionados, perde-se a confiança no outro, como se todos (ou todas) fossem iguais e desejassem o mesmo, como se não houvesse espaço para as coisas boas que podem surgir.
Muitos passam por esse ciclo vicioso de usar e serem usados até se sentirem completamente inúteis, até não verem mais sentido numa relação saudável a dois. Gera-se aí o medo de se envolver, de namorar, de se comprometer. E na correria diária, somos impulsionados a crer apenas no que é supérfluo, breve, no que pode nos fazer felizes o mais rápido possível.
Entretanto, essa felicidade passa tão depressa quanto chega. Então, nos vemos sozinhos novamente, entre os nossos desejos frustrados e sonhos não-realizados. Vemos a felicidade fugindo das nossas mãos, vemos pessoas especiais sumindo das nossas vidas sem que compreendamos a razão.
O motivo é bem simples: quanto mais banal o amor se tornar na sociedade, quanto mais aderirmos à cultura que nos torna objetos de prazer de outrem, mais céticos, desconfiados e infelizes nos tornaremos. Menos relacionamentos duradouros teremos, mais cicatrizes e feridas colecionaremos. Mais rachaduras na alma, mais desprezo pelo outro, mais insegurança e medo adotaremos como parceiros.
A solução? Resgatar o amor como eixo principal de uma sociedade que desaprendeu a amar. Resgatá-lo nas famílias, nas amizades, nos relacionamentos entre homens e mulheres.
Que entendamos que amar está em alta e que out é tornar-se (f)útil, dominados por atitudes que, sem amor, nos tornam seres descartáveis, banais, vis e peregrinos, numa busca equivocada - e infindável - por verdade e felicidade.

Comentários

  1. Lindo blog. Te seguindo. Dps visite meu blog.

    http://deletrasasentimentos.blogspot.com

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  2. Show de bola! Assim que deveremos está na linha de frente.

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  3. Você sempre fala tão bem de amor, Inaí. É bem isso que tem acontecido mesmo. Agora o "normal" é não se envolver com ninguém,ser superficial. Todo mundo acha que é porque os tempos mudaram, que isso é o moderno, século 21 e tal...mas na verdade quem pensa assim é só o resultado da banalização de tudo que tem essência. Banalizaram o amor! E tenho medo do que pode acontecer depois.
    Está de parabéns, minha linda. Escreve cada vez melhor. Beeeeijos

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  4. Inaí

    Amar exige esforço, compreensão, paciência, tolerância. E quem quer empenhar tempo e energia em algo que, às vezes, machuca tanto?
    Poucos né?!

    Adorei o conteúdo do teu texto, tão bem desenvolvido e com bons e reais argumentos.
    Vc sabe falar muito bem do amor!

    Um abraço
    ;)

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  5. Belíssimo!
    Obrigada pela visita flor e volte sempre que quiser, será um prazer te receber por lá!

    Beijo carinhoso

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  6. Gostei do Texto !!
    Parabens Inaí ..

    Att,
    sawuelbruno™

    http://sawuelbruno.blogspot.com/

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  7. é, acho que pra mudar, precisamos amar.

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  8. adorei, amei o texto..
    como sempre...
    bjok

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  9. Ahhh como escreve bonito essa moça! Fico encantada por suas palavras e contemplada com o que expressou. Será que falta amor ou coragem pra vivê-lo? Ai ai, é complexo...rs
    bjs moça!

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