A invisibilidade materna

 Reprodução: Megan Jacobs (Projeto Hidden Mothers)


Dizem que ao nascer um filho, nasce também uma mãe, e é verdade até certo ponto. Algumas mais dispostas para essa missão do que outras, mas a grande verdade é que ninguém está pronta para criar, educar ou prover tudo o que um bebê precisa. Aprender a trafegar pelas estradas da maternidade demanda tempo, esforço e muita paciência.

O amor aumenta a cada dia e gradativamente é possível lidar com os desafios que surgem. Os problemas do início, pouco a pouco, se transformam em mais obstáculos vencidos – entre tantos que ainda virão.

Entretanto, ao me tornar mãe descobri que adquirimos um poder: o da invisibilidade. Não, este superpoder não nos permite ficar invisíveis a cada palpite maldoso que nos é dado, infelizmente. Então explico: saímos do hospital com o grande dom de nos deixar para trás em prol de um serzinho indefeso que acabou de nascer. É difícil nos reencontrar e olhar para nós mesmas. É muita responsabilidade nos ombros ter de cuidar, velar, alimentar, vestir e proteger uma vida tão nossa. É complicado nos enxergar como uma só e não mais como dois no mesmo corpo, ainda que nunca mais fiquemos sem eles.

Contudo, a parte mais cruel de se tornar invisível é deixar de ser vista pelas pessoas próximas. De repente o bebê nasce e aquela mulher grávida, que era mimada o tempo todo, não existe mais. Eu sei que nenéns são irresistíveis, que é impossível não pensar nas mãos pequeninas, nos pés gordinhos, nas gargalhadas puras que dão ou no cheirinho delicioso que possuem, mas é doloroso conversar e não ser ouvida. Falar, falar, falar e, de repente, perceber que o foco não está mais em você dói.

Mães não querem competir com seus filhos – não é disso que se trata o texto – mas é certo de que elas possuem a necessidade de falar um pouco sobre si e sobre como tem sido a sua experiência na maternidade. Nem tudo é igual para todas (ainda bem!), mas precisamos sim ser vistas com os mesmos olhos de amor e atenção de alguns meses atrás. 

É preciso olhar para as mães e perceber que ali ainda existe uma mulher com ideias importantes a compartilhar e, mais ainda, alguém que precisa de uma rede de apoio para se manter forte, feliz e emocionalmente saudável. E é claro que se ela estiver bem, tanto física quanto psicologicamente, o bebê também estará.

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