Despertar
Falta de recursos hídricos, disputas por territórios, tragédias, cerceamento de direitos, mortes, aumento da intolerância, do ódio e das desigualdades econômicas e sociais...
Vivemos em tempos de guerra: é o senhor que morreu porque defendeu a travesti; o pai que matou o filho em virtude das suas convicções políticas; a mulher e o namorado que foram assassinados pelo ex dela que se considerou dono da vida e das escolhas alheias; foi o ex-marido que matou o filho, a ex e mais dez pessoas... É o pobre que vê o aumento dos produtos alimentícios, dos impostos, a diminuição dos direitos trabalhistas e já não sabe o que fazer. Os governantes que legislam para os ricos e que, não raramente, adotam discursos violentos e desumanos. É a humanidade que concorda com o mal, desde que ele não seja imputado aos cidadãos "de bem".
São cenas que se repetem constantemente. Tornou-se comum demonstrar o quanto somos racistas, intolerantes e quanto ódio conseguimos carregar no peito.
Os "bons" cidadãos, que reclamam da corrupção e fazem protesto nas ruas, são os mesmos que furam fila no banco, que recebem dinheiro a mais e não devolvem, que compram gabarito de provas oficiais, que oferecem dinheiro do cafezinho para o policial de trânsito. A corrupção dos políticos é um reflexo do povo brasileiro, do jeitinho que há anos adotamos como slogan para nos representar.
Muitos religiosos que frequentam templos e professam sua fé são aqueles que aplaudem atrocidades e que desejam ao próximo não uma conversão e mudança, mas o castigo, a punição, a tortura.
O planeta que perece e que grita por socorro, devolve pouco a pouco a nossa falta de cuidado em forma de terremotos, enchentes e tempestades. Extingue paulatinamente uma raça que não adotou a consciência sobre o amanhã.
O fato é que precisamos de uma revolução. É necessário que busquemos os nossos uniformes, unamos forças e marchemos para a guerra. Faz-se imprescindível compreender que não existe mal que não afete direta ou indiretamente a todos nós, afinal, estamos interligados.
Esta batalha da qual teremos que participar deverá ser pautada em princípios que sustentem – e justifiquem – a nossa existência: amor, liberdade, empatia e respeito. Já não serão necessárias armas de fogo, atentados à vida nas suas mais diversas formas não serão aceitos, intolerantes não passarão.
É essencial mudarmos a nossa forma de pensar. Não haverá amanhã se marcharmos movidos pelo ódio. Não haverá saída se o caos continuar se instaurando, se as vidas perderem o significado, se não houver em nós a conscientização de que precisamos ser melhores. Por nós, pelos que virão depois de nós, pelos outros e pelos descendentes deles, pelo mundo. Necessitamos nos vestir de amor e lutar para que o nome humano não seja apenas um título sem sentido.

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